Helena Santos, sediada em Lisboa, ocupa atualmente o cargo de designer instrucional
numa empresa multinacional. Conversámos sobre a rotina de trabalho, as maiores
aprendizagens e como o trabalho em equipa influencia o sucesso dos projetos.
Partilha ainda sugestões práticas para quem se interessa pelo design instrucional.
Pode descrever o seu papel e como decorre um dia típico como designer
instrucional?
O termo designer instrucional descreve o profissional que planifica, desenvolve
e implementa experiências de aprendizagem estruturadas para diferentes públicos.
Atualmente, a rotina inclui desde reuniões com especialistas em conteúdos até a
revisão de materiais digitais antes do lançamento. O desafio inicial foi
conciliar exigências técnicas com a criatividade, mas com o tempo, tornou-se
gratificante perceber o impacto real do trabalho nos resultados dos
participantes. A colaboração com equipas multidisciplinares é diária, sendo
fundamental para alinhar objetivos pedagógicos e garantir clareza nas entregas.
O que considera mais gratificante e mais desafiante na função?
O aspeto mais motivador é perceber o progresso dos participantes, especialmente
quando partilham que determinada abordagem facilitou a compreensão de conceitos
difíceis. A diversidade de projetos, desde formação interna a conteúdos para
clientes externos, exige adaptação constante. Um desafio recorrente é a gestão
de prazos em projetos com múltiplos intervenientes, onde a comunicação clara faz
toda a diferença. Por outro lado, existe flexibilidade para experimentar novos
métodos e ajustar estratégias com base em feedback recebido.
Como é a colaboração com outros profissionais nas equipas de projetos?
Trabalhar em projetos interdisciplinares exige abertura para ouvir diferentes
perspetivas e ajustar o próprio método. Recentemente, num projeto para
integração de novas ferramentas digitais, a equipa foi composta por
profissionais de TI, comunicação e pedagogia. O diálogo entre áreas ajudou a
antecipar obstáculos e encontrar soluções inovadoras. A experiência reforçou que
o sucesso depende da disponibilidade para aprender e adaptar práticas conforme o
contexto.
Que conselhos daria a alguém que está a considerar esta área?
Para quem está a começar, sugiro investir na compreensão dos princípios do
design instrucional, estudar casos práticos e manter uma atitude reflexiva. A
participação em fóruns de discussão e o contacto com outros profissionais são
oportunidades valiosas para crescimento contínuo. É importante não desanimar
perante feedback crítico, pois faz parte do desenvolvimento e contribui para
resultados mais sólidos a longo prazo.
De que forma evoluiu o seu trabalho ao longo do tempo?
A maior transformação desde o início da carreira foi a capacidade de prever
necessidades formativas dos participantes. Antes, era comum centrar-me apenas
nos conteúdos, mas agora o foco está na experiência global, desde a motivação
inicial até à avaliação. Este olhar mais abrangente trouxe maior eficiência e
coerência às soluções propostas, refletindo-se no reconhecimento por parte das
equipas e dos formandos.
Descubra as competências essenciais e perspetivas de carreira para designers
instrucionais
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